Ó mar de Túrbidas Vagas (*)

Já tinha avisado que a “nova” revista LER vinha com o intuito de gerar umas quezílias literárias. Parece que não me enganei muito, pois na capa da edição deste mês a escritora em destaque é Margarida Rebelo Pinto. Segundo a Blogtailors, não é a primeira vez que a autora de Português Suave aparece na capa de uma publicação literária. Tudo muito bem! O problema penso que a meu ver é que a Revista LER que sempre foi, tal como o Jornal de Letras Artes & Ideias, um pouco elitista, por oposição à publicação Os Meus Livros. A escolha da figura da capa é clara, tentar chegar aos leitores da escritora (espera-se um milhão de vendas da sua mais recente obra, segundo o editorial de Francisco José Viegas), e com isso atingir um público diferente. Os problemas, a meu ver são estes: parafraseando o povo “A gota não rima com a perdigota”, ou seja, o miolo da revista está em dissonância com a envolvente, quem vai comprar a revista pela entrevista de Margarida Rebelo Pinto não tem interesse pelos outros assuntos tratados na revista ao passo que quem compra a revista pelos temas, não se interessa pelas páginas centrais; o segundo e último problema passa por uma tentativa de atrair o capital. Com o mês de Agosto sem edição, era mais do que óbvio, que precisavam de alguém que lhes desse financiamento para o mês de estagnação. Por muito que se goste ou não da escolha da capa, quem mais poderia ser tal fonte de financiamento?

(*) Título da última obra de Henrique Teixeira de Sousa.

4 Respostas to “Ó mar de Túrbidas Vagas (*)”


  1. 1 Tim_booth Julho 5, 2008 às 5:14 pm

    Quando andava, qual Idiana Jones, na semana passada em busca da edição de Julho da LER, pelas Bertrand, estava longe de imaginar que a figura de capa era Margarida Rebelo Pinto. Não que tenha algo contra a senhora, ou os seus livros, ou o seu tipo de literatura, mas simplesmente parece-me desadequada do resto da publicação. Senão vejamos as capas das anteriores edições da revista literária: António Lobo Antunes, José Saramago. E agora… Margarida Rebelo Pinto. Ainda não comprei este mês e desconheço os conteúdos. Mas a não existirem mais um ou outro artigo de interesse para além das crónicas, acho que vou deixar a revista no sítio onde estava.

  2. 2 Méndez Julho 6, 2008 às 9:48 am

    Ainda não tive muito tempo para saborear a revista LER. Também eu tive dificuldades em saber se dava os 5€ (que já agora acho um ligeiro abuso) pela revista. Acabei por ceder, mais pela “onda” do coleccionismo de ficar com todas as revistas LER da nova geração. Em relação à entrevista. Bem basta dizer que a senhora interrompeu a entrevista irritada com as perguntas do Carlos Vaz Marques, pode comprovar isto no Blogtailors. Arrogância?! Cada leitor julga por si próprio. Obrigado pelo comentário.

  3. 3 Luís Graça Julho 7, 2008 às 5:06 am

    Atenção: a Margarida Rebelo Pinto vai passar o milhão de exemplares vendidos de TODOS OS LIVROS dela escritos até agora. Não é um milhão só deste livro!

  4. 4 Adélia Rocha Julho 31, 2008 às 11:37 pm

    Não se pode dizer que Carlos Vaz Marques tenha conduzido a entrevista da melhor maneira. Acabou por não ser revelado nada que já não se soubesse, isto porque, a meu ver, CVM fez tudo de forma desastrada.


Deixe uma Resposta